Emmanuel Falcão



Emmanuel Falcão
Vencedor
Organização:Assessoria de Grupo Especializada Multidisciplinar em Tecnologia e Extensão (AGEMTE)
Tema: Desenvolvimento de processos educativos solidários na zona rural e urbana
Lugar de Atuação: Mata Norte e Brejo Paraibano
Tema

Observa-se no Brasil, especialmente na região nordestina, a necessidade de orientação e organização da classe trabalhadora no que se refere à interação com os diversos setores que compõem a Sociedade e o Estado e o papel de agente produtor de riquezas. Dados da Secretaria Estadual de Educação da Paraíba mostram que dos quase 900 mil alunos matriculados em 2007, aproximadamente 12,2% deixaram a escola antes do fim do ano e ainda cerca de 300 mil jovens de 3 a 17 anos não foram matriculados. A falta de escolaridade e conhecimento como cidadãos leva-os a atuar de modo informal no mercado de trabalho, sem acesso aos seus direitos constitucionais, como a segurança social, aposentadoria, educação, saúde, habitação, entre diversas outras políticas públicas e sociais, conduzindo-os a vida marginalizada. Neste sentido, esta proposta se coloca em posição estratégica para desenvolver processos educativos solidários capazes de aprimorar as questões de formação, produção e qualidade de vida na zona rural e urbana. A instituição vem garantindo a sustentabilidade em áreas até então consideradas de risco no campo da pesca, da agricultura familiar, nas comunidades indígenas, mas principalmente nas áreas de assentamentos rurais da Mata Norte e Brejo Paraibano. Tem por objetivo promover o desenvolvimento sustentável e a educação popular e educação ambiental visando à geração de emprego e renda, além de promover a saúde comunitária para promoção da qualidade de vida e o desenvolvimento humano, enfocando a responsabilidade social através dos princípios dessa educação popular, adotando o referencial da “Teoria da Complexidade’’ (Edgar Morin), como também a metodologia freiriana.


Modelo de intervenção

O modelo utilizado exercita a autonomia das pessoas tanto no campo acadêmico quanto nas iniciativas populares, como já vem ocorrendo em vários espaços comunitários no Brasil e em particular na Paraíba. O modelo vem sendo replicado no Brasil desde 2005 no Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco e Paraíba, com a transferência de tecnologias alternativas e metodologias. Sua intervenção tem por base promover o desenvolvimento humano a partir da cultura local, passando por um processo produtivo e organizativo, culminando com a produção sustentável, a organização político-social, a educação popular e a educação ambiental, a saúde comunitária, a cultura e a geração de emprego e renda. A metodologia busca saídas integradas nos campos da geopolítica; a economia pelo viés solidário; no campo social pela promoção humana; no campo político potencializando a organização das pessoas, grupos e comunidades; no campo ambiental trazendo as questões pertinentes à agroecologia e permacultura numa visão holística integrativa; e aos processos desenvolvidos a partir da aplicação da metodologia Met-MOCI (FALCÃO & ANDRADE). A equipe atual é composta por 50 profissionais das áreas de Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária, Assistência Social, Pedagogia, Geografia, Engenharia Florestal, entre outros. O processo decisório tem um caráter coletivo e compartilhado, e o programa é mensalmente avaliado pela equipe executora e financiadora. Para garantir a profissionalização, toda a equipe está sendo capacitada em processos de gestão compartilhada, formação e qualificação de lideranças, qualificação institucional em processos de pós-graduação e apropriação de sistemas de gestão e fiscal.

Impacto social

Nos últimos 4 anos a AGEMTE vem implantando esse novo modelo de formação e acompanhamento dos trabalhos de assistência sócioambiental e educação popular nas áreas de assentamentos rurais na Mata Norte e Brejo Paraibano, atendendo 3.500 famílias de forma direta no campo da inclusão social com o desenvolvimento de projetos e programas para mulheres, jovens e agricultores familiares que até então não gozavam de uma cidadania plena. Esse modelo já aponta mudanças de comportamento sóciopolítico e econômico em alguns desses segmentos. O grupo de mulheres vem se sobressaindo nas suas atividades ao se apropriar das ferramentas e dos processos metodológicos a elas ofertados e ao acessar o mercado de trabalho com recursos advindos do seu modelo de organização.

Dimensão econômico-financeira

Cem por cento dos recursos provêm de fundos governamentais, e a expectativa é de praticamente triplicar seu orçamento de 2011 para 2012. Nos últimos anos algumas de suas iniciativas passaram a figurar como política pública, recebendo financiamento público e garantindo sua solidificação financeira.

Potencial de crescimento

Não foi citado o potencial de crescimento e replicação do modelo, porém os indicadores de evasão escolar, trabalho formal versus trabalho informal e conscientização sobre cidadania mostram que há espaço e necessidade de maior investimento na área no país.

Capacidade de aproveitamento do Visionaris

A premiação e contribuição financeira do Visionaris ajudarão na ampliação das atividades na perspectiva de inclusão de mais jovens no programa

História pessoal

Emmanuel teve uma origem humilde no Nordeste, e seus pais tiveram um papel muito importante em sua formação e em seus interesses futuros. Seu pai era um enfermeiro que percebeu quão valioso era incorporar no conhecimento local os cuidados com a saúde. Sua mãe incentivou o interesse de Emmanuel pela alimentação e agricultura, que mais tarde o levou a olhar para os problemas da fome. Seu primeiro projeto foi promover atividades de geração de renda alternativa para a comunidade costeira do Costinha depois de ela ter sido forçada a parar de caçar baleias. A Comunidade do Costinha sofreu com graves problemas sociais, incluindo a fome generalizada. Emmanuel foi ineficaz na ajuda, porque estava usando métodos universitários não fundamentados na realidade da comunidade local. Ele pesquisou e criou sua própria metodologia para trabalhar com as comunidades. Emmanuel aprendeu muito com a sua dedicação. Ele acreditou que poderia construir uma ponte entre as comunidades rurais e a universidade, oferecendo a alguns alunos da universidade uma profunda experiência em comunidades rurais. Porém, para superar os obstáculos existentes, tanto nas comunidades como nas universidades, Emmanuel levou mais de dez anos para criar um modelo bem-sucedido e replicável. Os alunos da universidade eram seus mais entusiasmados e eficazes defensores. Ele levou em média quatro anos para ganhar a confiança das comunidades, enquanto na universidade o reitor teve que ser convencido a adicionar o serviço de aprendizagem no currículo, tentando não ser sufocado na burocracia universitária. Emmanuel construiu um modelo de sucesso na Paraíba e começou a expandir sua abordagem para outras dez universidades. Ele não irá descansar até construir pontes robustas e sustentáveis entre as universidades de todo o Brasil e as comunidades rurais mais carentes, transformando-as e melhorando-as.


Endereço

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– 1º andar – bairro da Tôrre
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