Leonardo Letelier



Leonardo Letelier
Organização: SITAWI
Tema: Fortalecimento do terceiro setor para combater a desigualdade social
Lugar de Atuação: Brasil
Tema

O Brasil precisa fortalecer o terceiro setor para combater a desigualdade social, no entanto o setor social tem acesso restrito ao capital, financiando-se quase que exclusivamente com doações, cerca de R$10 bilhões por ano (GIFE). Este volume pode parecer grande, mas na verdade não é, pois representa R$ 25 mil por ONG. É claramente insuficiente diante dos novos desafios, com mais de 16 milhões de pessoas em extrema pobreza (IBGE) e 75% da população rural sem acesso a saneamento básico (IBGE/PNAD). Além disso, esse recurso geralmente está vinculado à execução de projetos, não podendo ser utilizado no desenvolvimento da infraestrutura e habilidades da organização. Essa restrição alimenta um ciclo vicioso que reduz a eficácia e eficiência do setor social, reduzindo, consequentemente, sua capacidade de transformar a sociedade.


Apesar de produtos financeiros não serem uma inovação, não há nenhuma outra organização no país aplicando-os para as organizações do terceiro setor. Adicionalmente, a forma como fazem isso tem um efeito multiplicador. “A Sitawi é pioneira no Brasil no desenvolvimento de produtos financeiros para o setor social”, afirma Leonardo Letelier. Seu impacto multiplicador acontece através do seu fundo de empréstimo, pois uma única doação tem múltiplos beneficiários, já que o dinheiro sempre volta ao fundo quando o empréstimo é quitado. O fundo já “girou” 3 vezes, atingindo o valor de R$ 1,5 milhão em empréstimos sociais. O segundo produto foi a gestão de Fundos Sociais. O primeiro é o Fundo +Unidos, constituído por um grupo de multinacionais coordenado pela USAID. Os recursos destes fundos são transferidos para a Sitawi, que os gere com total transparência, seguindo um mandato preestabelecido pelo grupo. A Sitawi repassa esses recursos a outras organizações e reporta periodicamente para o grupo. Este produto visa a simplificar a vida de potenciais doadores, reduzindo as barreiras para sua atuação social e com isso trazendo novos recursos para o setor. A equipe gerencial da Sitawi é composta por quatro áreas: portfólio-officer, marketing e comunicação, captação de recursos e administrativa-financeira. A diretoria é composta apenas pelo CEO e fundador da organização, Leonardo Letelier. A interação do CEO com todos os membros da equipe é constante. As tomadas de decisões estratégicas são feitas diretamente pelo gestor de cada área, mas sempre recebem o suporte e aconselhamento do CEO. O outro nível de tomada de decisão acontece no conselho. O conselho discute os planos e a execução da estratégia da organização e seu orçamento, tendo responsabilidade também por avaliar o CEO. A Sitawi tem todo o processo devidamente descrito para o empréstimo social, seu processo-chave.

Impacto social

No empréstimo social, o impacto social acontece direta e indiretamente em dois níveis: as organizações, que são as beneficiárias diretas com capital para melhoria de sua capacidade produtiva e/ou operacional e aconselhamento para melhor gerenciar seus projetos, e os indivíduos atendidos pelas organizações tomadoras de empréstimo, que são beneficiários indiretos. Atualmente atinge direta e indiretamente 15 mil pessoas. Através do seu modelo inovador já consegue perceber algumas mudanças de comportamento das ONGs que apoiaram, tais como: maior autonomia financeira, crescimento dos serviços e produtos comercializados e maior consciência da gestão organizacional.

Dimensão econômico-financeira

A organização tem mostrado um crescimento contínuo e com efeito multiplicador ao longo do tempo. Seu principal ativo já atingiu o valor de R$ 1,5 milhão em empréstimos sociais.

Potencial de crescimento

Atualmente, estima-se que há 400 mil ONGs no Brasil. Segundo uma pesquisa da ABONG, cerca de 25% das organizações têm alguma receita de venda de produtos e serviços, ou seja, adotaram esse modelo em alguma medida. Com isto, pode-se estimar uma demanda potencial de 100 mil ONGs para o empréstimo social. Tendo como base a experiência da Sitawi até o momento – ela faz empréstimos sociais para 9 organizações sociais que beneficiam 15 mil pessoas – e um cenário de 20% de demanda dentro deste subgrupo, uma extrapolação simples destes números implica uma demanda reprimida de R$ 2 bilhões em 20 mil ONGs para empréstimo social com o potencial de impactar positivamente até 30 milhões de vidas.

Capacidade de aproveitamento do Visionaris

A ajuda econômica do Visionaris contribuirá para a estruturação de um novo ‘serviço financeiro’ para o setor social: o fundo de apoio a fusões no setor social. A Sitawi está estruturando uma parceria com uma organização social – SeaChange Capital – que já apoia fusões e colaborações no setor social nos EUA. Seu objetivo é aprender com a metodologia dela, adaptá-la para o contexto brasileiro e buscar apoiadores locais. A necessidade de consolidação no setor social é evidente, mas isso não significa que as organizações conseguem superar sozinhas as barreiras para que isso aconteça. Assim, o Prêmio Visionaris servirá justamente para criar o “seed capital” do fundo e trazer credibilidade para o processo, permitindo alavancar capital de outros apoiadores.

História pessoal

Em 1994, antes de me formar em Engenharia de Produção (Poli-USP), me sentia mal com a ideia que a sociedade me considerasse “formado” com tão pouca experiência e conhecimento do mundo. Assim, deixei meu estágio e decidi viajar um ano pela Europa, o que veio a ser uma vivência enriquecedora. Como consultor da McKinsey, atuava em alguns projetos com a Ashoka e tive várias interações com fellows. No entanto, a ideia de atuar diretamente no setor social ainda era algo distante. Em 2004, um colega mexicano da McKinsey perguntou: “Se o Clinton Global Initiative o convidasse para trabalhar com eles, ganhando o mesmo que ganha hoje, você iria?”. Antes que eu pudesse racionalizar uma resposta, um “sim” saltou de meus lábios. Isso me deixou desconcertado, pois havia sido uma resposta instintiva, uma resposta vinda do coração e não da mente. Assim, comecei a me questionar. Razões que me seguravam na McKinsey, como clientes, colegas, aprendizado, status e salário, passaram a não ser mais suficientes para minhas inquietações. Na tentativa de descobrir o que fazer, conversei com pessoas ocupando distintas posições nas mais variadas áreas, incluindo organizações sociais “de base”. Como um consultor bem-treinado, fiz uma matriz com prós e contras de cada posição, mas a verdade é que nada disso me ajudava a decidir. Ao final deste processo, duas posições se tornaram mais sérias. Apesar de as duas propostas serem bem diversas, ambas as posições me atraíam. Cada uma delas falava para uma “metade” de mim. Foi somente quando mudei a pergunta para “Quem quero ser?” que o meu paradoxo se desfez. Percebi que era a hora de deixar de lado a mentalidade do ‘OU’ e incorporar a visão de ‘E’. Desta forma, começou a nascer a ideia da Sitawi: atuação no social E de negócios. Da minha experiência anterior, eu sabia que apenas aconselhamento não era a solução para os problemas do setor social (o mesmo se dá para o setor de negócios). Ao mesmo tempo, capital isoladamente também não parecia resolver os problemas do setor; se assim fosse, todas as doações seriam um sucesso. Assim, estava decidido: a Sitawi moveria o mundo com a razão e a paixão usando meios como capital e aconselhamento estratégico.


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Site: www.sitawi.com.br